domingo, 15 de março de 2020

Leitura da Utopia



Considerando-se o conteúdo das narrativas de ficção científica e dos textos especulativos, duas alternativas de futuro se desenham: as utopias, constituídas de mundos idílicos em que a superação das mistificações combina-se com justiça social e relações éticas idealizadas, e as distopias, apresentadas como descrições sombrias de lugares fora da história em que tensões sociais são resolvidas ou controladas por meio da violência ou da força. As utopias, “sonhos da razão”, se caracterizam por parecerem irreais, contrastando com a irracionalidade reinante nas relações sociais, enquanto as distopias, caracterizadas na imaginação literária do século XX pela fúria dominadora da racionalidade, assinalam que “o sonho da razão produz monstros”.

As distopias induzem, assim, a uma reflexão crítica sobre discursos fundadores da modernidade: a noção de progresso e a fé na ciência e na tecnologia como solução para os problemas. A ambiguidade e a contradição com que a noção de “progresso” afetou vidas, sociedades, sistemas e meio ambiente ao longo do século XX resultam num questionamento imediato sobre o caos do progresso.

Ao trazer para o leitor a possibilidade de antecipar na imaginação as possíveis decorrências das ações, a ficção científica especulativa distópica, tem um caráter de narrativa mítica que leva o leitor a contemplar, no presente, “as ruínas do futuro”. Grandes dificuldades se apresentam a quem se dedica ao esforço de imaginar um futuro – de um presente em crise –, implicando também em diálogos com o passado, não num trabalho mnemônico que vise ao mero relato histórico, mas sim na tentativa de compreensão de suas trajetórias e percursos sociais, históricos, econômicos, ecológicos e éticos.

Olhar para o passado com a consciência do que aconteceu posteriormente requer sempre o apelo à relativização, posto que tal digressão pode induzir a anacronismos, mas tal tarefa se coloca e se impõe em momentos de crise e esta análise pode ser fundamental para uma revisão vital do olhar que se pode lançar não sobre o passado, mas sim sobre o devir e a construção do futuro.

A literatura de ficção científica também possibilita ao leitor o exercício imaginativo de se colocar no lugar do homem do futuro, de viver a realidade do cenário diegético, de sentir, pensar e agir num mundo virtual e de lá olhar o presente com os olhos do outro.

As distopias literárias constantemente abordam temas ou contextos que atingem pontos-chave dos perigos e temores que assombram a humanidade quando confrontada com o futuro, resultando na construção de cenários que são sínteses das questões fundamentais ligadas aos problemas e decorrências da civilização ocidental, bem como dos percursos por ela trilhados, fazendo refletir tanto para frente quanto para trás.

Assim, textos escritos há mais de um século já colocavam questões sociais e ambientais que se tornaram paulatinamente mais próximas da realidade dos leitores, ainda que no momento em que foram escritos tais contextos poderiam parecer prenúncios apocalípticos impossíveis.

Chamado a preencher os hiatos do percurso entre a sua atualidade concreta e o cenário futuro criado no texto de ficção literária, o leitor constrói trajetórias para a humanidade, para a sociedade planetária, ou mesmo para as comunidades interpretativas a que pertence, incluindo, nesta perspectiva, o que concerne ao possível e ao impossível, às aspirações, aos desejos projetados, aos medos e perigos pronunciados, à cíclica recorrência de fatos históricos ou ao temor do desconhecido. Como outros mitos, a ficção científica também tem uma dimensão cosmogênica, só que nela a cosmogonia é metafórica e se opera ao contrário: ao invés de organizar os mundos ancestrais e origens ontológicas, o mito criado na narrativa da ficção científica descreve acontecimentos futuros que se originam nas possíveis ações do presente.

Ao lidar com medos e temores contemporâneos, a ficção especulativa resulta abordando as consequências, trajetórias, decorrências, problemas históricos e atuais da civilização ocidental, conclamando o leitor à reflexão e implicando também num duplo envolvimento, tanto emocional quanto racional, com a temática abordada, o que sugere a literatura como ampliadora da capacidade de mobilização crítica do leitor frente à realidade e o aumento do grau de consciência dos problemas contemporâneos.

O medo faz parte das decorrências do progresso da civilização. À palavra “progresso” aproxima-se, de início, um campo semântico positivo, na significação de um avanço contínuo em direção a algo melhor, ligando-se à noção de êxito, de coisa desejável. Entretanto, ao progresso associa-se também o medo, sentimento ancestral humano que se relaciona a perigo, a algo a ser evitado, ao que não apenas se rejeita como também se deve fugir, com forte significação cultural negativa. Este duplo caráter do progresso e do avanço técnico-científico é a quinta-essência da civilização e do homem moderno, inserido numa sociabilidade fundada em paradoxos. E é o núcleo argumentativo da literatura especulativa.

Não se deve, contudo, pensar a literatura de ficção científica como instrumento de mera antecipação de questões científicas, sociais, tecnológicas, políticas, econômicas, ambientais ou de ferramenta para a proposição de possíveis soluções. Pelo contrário, o que há de se considerar é a imensa potencialidade que carrega para estabelecer, por meio do pulsar estético da arte, terrenos fecundos para o pensamento crítico sobre temas contemporâneos, como identidade, ética, responsabilidade, meio ambiente e futuro, mobilizando sujeitos-leitores para uma existência mais responsável e prudente. A catarse literária pode viabilizar a contemplação das ruínas do futuro e dar ao leitor a chance de uma reflexão crítica mais abrangente, uma visão imaginária das possibilidades (perversas ou utópicas) de construção coletiva do porvir. E a literatura de ficção científica, relacionando palavras, memória e futuro, pode alcançar, assim, funções heurísticas e educativas adicionais às estéticas do pensar.



Fases da Leitura



Pré-Leitura - Fase da descoberta do mundo concreto e da linguagem, instalação das relações entre imagens e palavras. Leitura visual com predileção por textos sobre o cotidiano familiar ou com rimas.

Leitura Iniciante - Nesta fase o inicia o processo de socialização e compreensão da realidade. Com  preferência em textos bem-humorados, onde sagacidade vence a tirania.

Leitura em Processo - Fase em que o leitor acentua o interesse pelo conhecimento. Entrando no mundo dos desafios e dos questionamentos de toda ordem. Atraído pelos textos fantásticos, de fadas, folclore, de humor e animismo.

Leitura Fluente - Fase em que se consolida a  capacidade de abstração e do pensamento formal e reflexivo. Nesta fase as aventuras sensacionalistas e ideais humanitários que envolvem heróis, detetives, fantasmas, ficção e história de amor tem preferência.

Leitura Crítica - Fase que apresenta o desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo,  assimilando idéias e entrelinhas. Preferência por narrativas psicológicas, aventuras intelectualizadas, crônicas e contos.



Experiêcia Estética



A experiência estética em alguns livros inicia  a partir da capa, onde certos autores colocam em jogo características específicas que servem como  marcas que eles gostariam que fossem percebidas pelo leitor como pegadas no caminho da leitura de sua narrativa.

Assim, na descoberta dessas, e de outras marcas, o leitor tem um papel mais exigente que outros tipos de leitura, em função das especificidades  tais narrativas reivindicam. Conhecimentos prévios ou de busca (pesquisa) em relação a metáforas e associações inseridas no texto e no contexto da obra,  tornam a experiência de leitura em algo fascinante.

Essa experiência tem muitos níveis, assim como diferentes temporalidades, dependendo de tantos elementos que entram em sua constituição e também do quanto cada leitor investe nela. Várias leituras de uma mesma obra literária constituirão experiências estéticas, em algum grau, diferentes. Certas leituras se impõe, exigindo uma experiência que se constrói no tempo.

Mukarovský, propõe um entendimento da função estética como uma construção cultural variável no tempo e no espaço e, por outro lado, um entendimento da norma estética como critério estabilizador do valor estético—sujeito, por isso, a constantes violações e sucessivas alternâncias.


Etapas de Leitura




Na perspectiva cognitiva a leitura é um processo de informações. Portanto, o ato de ler é fundamentalmente mecânico. Ou seja, a leitura é uma atividade intelectual exercida por etapas através dos sentido: audição, paladar, olfato, tato e, sobretudo, visão.

1ª ETAPA
Etapa determinada como momento da percepção da palavra, do objeto, dos fatos lidos. O ato de ler, neste momento, ainda não é completo.

2ª ETAPA
Compreende o processo de levar as informações apreendidas para a memória intermediária, onde elas serão organizadas em unidades significativas. Durante o ato de leitura, memória de trabalho automaticamente  aciona conhecimentos já sedimentados em grupos maiores e envia para junto destes as informações lidas, que têm relação com a necessidade e com a experiência do leitor. A informação significativa segue para a memória profunda ou semântica.

E a memória intermediária é acionada para receber novas informações, num processo sucessivo, chamado de fatiamento. As informações desnecessárias ou consideradas insignificantes pelo leitor são descartadas pela   memória intermediária. 

3ª ETAPA
Acontece com a recepção do conhecimento pela memória profunda, onde ocorre a compreensão real e a re-elaboração do texto lido. 

É importante notar que a memória intermediária trabalha ininterruptamente em um processo de esvaziamento e escolha de informações lidas. Se o leitor não consegue selecionar informações para armazenar, as novas informações não farão sentido, dificultando a conexão  com unidades significativas já sedimentadas. 

Estratégia de Leitura



Estratégias de leitura são mecanismos que o leitor desenvolve no ato de selecionar, antecipar, inferir e verificar.. 

Estratégia de seleção: o leitor escolhe o que é relevante e descarta o que é irrelevante.

Estratégia de antecipação:  o leitor prevê o que seus olhos ainda não leram.

Estratégia de inferência: o leitor compreende o que não está explícito no texto, metáforas e  entrelinhas.

Estratégia de verificação: o leitor avalia o uso das estratégias anteriores, se está ou não contribuindo para alcançar o objetivo, se hipóteses,  inferências e previsões podem ser confirmadas.



Relações



Ler é estabelecer relações entre o que se conhece e o que se apresenta como novo. Basicamente é uma capacidade adquirida e aperfeiçoada pela experiência. Mesmo quando se fala metaforicamente. 

Na comunicação imediata, entre interlocutores, há outros fatores que podem ser levados em conta, como gestos, expressões faciais, tom de voz. Em um texto diminuem consideravelmente esses fatores que influenciam na apreensão da significação de um ato de comunicação e, portanto, são necessários cuidados adicionais para que a mensagem preserve o significado original atribuído por seu produtor. Acreditamos ser esse um dos fatores mais intrigantes da leitura: a ausência do destinatário no momento da produção do texto e a ausência do destinador no momento da recepção do texto.

Outras questões pertinentes sobre leitura são: de onde vem, o sentido daquilo que se lê? Quem é responsável pela construção do sentido na obra: o autor, o leitor ou o texto Um pouco em cada um, e nunca completamente em nenhum. O leitor, guiado pela obra e pelo autor, adiciona ou subtrai da obra significados de acordo com sua própria experiência. O autor, como construtor do texto, é responsável por parte do seu significado, mas não consegue controlar toda significação produzida.

Eco (1993) nos fala de livros seus cujos leitores encontraram referências sobre as quais ele não tinha pensado, mas que ele não podia negar que estavam ali construídas como significados em sua obra.

Eco menciona também que, como autor, “escondeu” no texto certos significados que só poderiam ser descobertos por um leitor mais arguto, justificando que o texto também poderia ter sido compreendido por alguém que não conhecesse aquelas referências, mas que se tornaria mais saboroso àqueles que as reconhecessem.



Antigo não é Raro!



Um livro não é valioso porque é antigo, toda biblioteca pública está cheia de livros antigos, que, se fossem postos à venda, não valeriam mais que o seu peso como papel velho. O valor de um livro nada tem que ver com a sua idade.

Quando se trata de raridade, deve-se tomar cuidado porque ela é relativa e depende de alguns fatores. A primeira grande impressão é pensar que livros velhos são raros. Livro velho nem sempre é raro, existem livros velhos que nada valem, mas livros antigos publicados no berço da invenção da tipografia de Gutenberg ou anteriores a 1504, os incunábulos, como são conhecidos, que são raros, pois sobreviveram ao castigo do tempo e foram preservados por gerações de bibliófilos e bibliotecários.

Unicidade pode tornar um livro em raridade. Entretanto, o fato de um livro ser único também não indica que é raro, pois é impossível pré-determinar as características de um livro raro, porque cada livro é um universo restrito de manifestações culturais – originais e acrescentados.

O estado de um livro e sua conservação também é importante. Mas, a conservação de livros não se aplica somente ao papel, mas também ao tipo de matéria usada na encadernação e, se for original, o livro pode valer mais ainda.

As primeiras edições também são características muito almejadas pelos amantes dos livros. O livreiro A.S.W. Rosenbach (1873-1946), um dos maiores caçadores de obras raras americanas e um dos primeiros a usar a coleção de livros como fonte de investimento financeiro, certa vez disse: “uma primeira edição para um autor é tão seu trabalho original quanto uma pintura é para um pintor”. A esse fator podemos lincar a popularidade do autor e a aceitação do público pela obra.

Livros também costumam a ser valorizados quando possuem assinaturas, dedicatórias ou comentários do autor sobre a primeira edição impressa, ou comentários de outros escritores.

Ex-libris são selos ou figuras ricamente ilustradas e com citações geralmente em latim feitas para identificar o dono do livro. É como um carimbo que marca a posse da obra – em geral rara. Os ex-libris ajudam a identificar o valor do livro e também são objetos em si de colecionismo.

Erratas também podem tornar livros raros, como no caso da bíblia inglesa de 1631, que vale muito dinheiro, simplesmente por que o tipógrafo esqueceu o ‘não’ ao Imprimir o Sétimo Mandamento ‘Não cometerás adultério’. A brincadeira custou trezentas libras ao gaiato e toda a edição foi queimada, com receio de que os leitores não percebessem o engano e seguissem o mandamento tal qual tinha sido impresso. Mas sobraram quatro exemplares.

Mesmo em tempos de massificação e de universalização, não se poderá impedir os colecionadores de construir a raridade. Porque apesar da raridade ser objetiva, ela é, de fato, com freqüência construída. Um livro é raro a partir do momento em que há bibliófilos para procurá-lo. Se não há ninguém interessado, mesmo que tenha sido publicado em um único exemplar, ele não é raro.

Estamos falando da bibliofilia, que começa no fim do século XVII ou no começo do século XVIII, nos meios financeiros, e supõe que seja definido o universo do colecionável. 

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Os incunábulos – do latim “in cuna” (no berço) foram os primeiros livros impressos na invenção da imprensa tipográfica dentre o período de 1455 a 1500 quando surgiu um novo método de impressão.

Os incunábulos são os precursores do livro como hoje conhecemos; representam a evolução da arte da impressão até atingir a sua maturidade, a transição das tradições artísticas e eruditas para métodos mais modernos e profissionais. Os primeiros incunábulos se assemelhavam aos manuscritos: não havia nenhuma informação na primeira folha, os tipos imitavam a caligrafia da época, inclusiva nas ligaduras e abreviações.

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Autor: Fernando Mustafá Costa
Fonte: Monografia de Conclusão do Curso de Biblioteconomia
Orientador: Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro - São Paulo, 05/13/2009


Leitor Ideal



Pinochet, que proibiu Dom Quixote por pensar que esse livro incitava à desobediência civil, foi seu leitor ideal.
Um famoso programa da BBC sobre livros infantis começava, invariavelmente, com o animador perguntando: “Vocês estão sentados confortavelmente? Então vamos começar!”. O leitor ideal é também o sentador ideal.
Representações de são Jerônimo mostram-no debruçado sobre sua tradução da Bíblia, ouvindo a palavra de Deus. O leitor ideal deve aprender a ouvir.
Há três tipos de leitor: o que aprecia o livro sem julgá-lo; o que o julga sem apreciá-lo; e o que o julga enquanto aprecia e aprecia enquanto julga. O último tipo é um leitor ideal…
O leitor ideal é capaz de dissecar o texto, retirar a pele, fazer um corte até a medula, seguir cada artéria e cada veia e depois dar vida a um novo ser sensível. O leitor ideal é um taxidermista.


Leitura em Voz Alta




A leitura em voz alta, primeiro veio na Igreja, depois na escola. Na primeira para convencer, na segunda... para convencer também. Na escola lia-se em voz alta, tanto para convencer de que se devia ler, quanto para se ensinar o que se ler. A escola pretendia desenvolver o gosto pela leitura escolhendo o que deveria ser lido e como deveria ser lido. Mais que isso, a escola e os poderes vigentes,  estabeleciam os critérios para leitura. O primeiro deles, que toda leitura deveria dar lugar a trabalho, e ser ela mesma parte de um trabalho. Nada de confundir o momento da leitura com ociosidade. O segundo, diz respeito às qualidades do que se lia. Um texto seria bom se ele pudesse ser partilhado, se pudesse ser mostrado, lido em público. Assim, uma má leitura se praticava escondido e sem controle. Segundo as normas, tal leitura fora das redes de sociabilidades, que fixavam o sentido certo e um certo sentido de interpretação, poderia dar margem e criar enganos. 

A leitura em voz alta e pública, fosse feita na escola, na igreja, na família ou mesmo em reuniões explicitamente realizadas para esse fim, criava uma pedagogia da compreensão que pretendia, assim, garantir a justa recepção. Pode-se dizer que a leitura pública não fazia parte de uma teatralização, mas de uma transmissão controlada de sentidos. A entonação do leitor, suas acentuações, seus silêncios, sua emoção, falavam pelo texto.

Além do mais, pretendia-se com o exercício da leitura em voz alta constituir uma aprendizagem da língua correta.





Uma Coisa Gostosa...



Segundo estudos recentes: Entre duas pessoas, ela enriquece a relação. Em pé, fortalece a coluna. De cabeça baixa, estimula a circulação do sangue.
De barriga para cima é mais prazerosa.
Em grupo, é complicada, mas pode ser divertido. No banho, pode ser arriscada. No automóvel, é muito perigosa. De joelhos, o resultado pode ser doloroso. Em cima da mesa, na pia da cozinha ou no escritório, pode ser excitante… Na cama, na rede, no sofá, no tapete, pode até chamar o sono com música ou em silêncio. Não importa idade, raça, crença, ou posição socioeconômica… o que importa é se entregar ao  prazer da leitura...a melhor maneira de exercitar a imaginação!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Leitura Auditiva



Recentemente descobri o site Ciência Hoje, e comecei a realizar o que chamo de “LEITURA AUDITIVA”. Sabendo que tudo passa rapidamente na rede, tratei logo de baixar uma dezena de arquivos para ouvir. Não estou falando de livros falados! Falo de entrevistas fantásticas sobre temas sensacionais com gente pra lá de articulada e cabeça. Tudinho em arquivo MP3. Espero aquele momento de entrar no ônibus ou na fila do banco, colocar o fone e dele leitura. Esses são alguns temas que baixei: 

A Influência da computação na educação.
A origem das línguas.
Ciência e ficção.
Línguas ameaçadas.
O mensageiro do cérebro.
Uma nova espécie humana entre nós?
Entre o físico e o virtual.
Mitologia mecanismo de memória.

Abaixo está o link, escolha um tema e faça a experiência, leia com os ouvidos, ou, como diria o personagem Mestre do livro Falei com Da Vinci : “veja com os ouvidos”!

Gostamos desse texto!


Para compreender, adequadamente, a importância da leitura e da escrita em nossas vidas, precisamos alimentar nosso corpo material e espiritual. É importante corrigir a falsa ideia, de que os termos 'espiritual' e 'espiritualidade' referem-se exclusivamente ao sentido religioso. É compreensível que isso ocorra, por que neles, os que têm fé na divindade elaboram e abrigam suas idéias e sentimentos em relação ao sagrado.

Entretanto, ateus  tem fé em um mundo melhor e de que as pessoas podem mudar. Possuem seu lado espiritual, só que no sentido não religioso do termo, onde elaboram idéias, afetos, esperanças. E também espiritualidade, no sentido de ligação com a natureza, com o Cosmo...

Outra falsa ideia é que podemos comunicar a verdade. Podemos percebê-la, mas ao comunicar sobre ela, levamos junto uma parte da nossa subjetividade como observador. Então, não existe comunicação imparcial. O que é verdadeiro para um pode não ser para o outro... Por que não existe uma pessoa igual à outra, e também não pode existir verdade única, religião única, pensamento único. E isso inclui esta própria afirmação que acabo de fazer, daí a dificuldade de se andar em terreno firme e seguro quando o assunto é a subjetividade.


Então, ler e escrever é muito mais que dominar técnicas literárias, é obter as chaves desse mundo interior, de nossa verdade, e ter acesso a dos outros. Uma forma de nos ajudar a perceber, compreender e elaborar nossa própria subjetividade contribuindo para dar sentido ao mundo, a nós próprios e aos outros. Claro que existem outras formas de fazer isso, principalmente nas culturas orais, mas na cultura letrada, ler e escrever são fundamentais para ser e sentir-se adequadamente inseridos no mundo. 

Precisamos disso, pois ao contrário, o processo de formação do sujeito é na verdade uma auto-formação. A educação, os livros, a cultura, os meios de comunicação exercem influências sobre nós, mas o que somos resulta de nossas escolhas. Comunicadores em geral, educadores, e escritores, em particular, cumprem com o papel social de nos ajudar a construir nossa subjetividade, nossa compreensão da verdade e utopias e, embora não escolham por nos, contribuem para iluminar nossos caminhos. 

Outra falsa ideia é de que a pratica é mais importante que a teoria. A prática começa nas idéias. A motivação para agir não está na própria ação, mas em nosso mundo interior. E como a leitura e a escrita nos conectam a este mundo, nos incentivam - ou não - a agir seja para manter as coisas como estão ou para mudá-las. Por essa razão, jornalistas, artistas e escritores são os primeiros a sofrer censura e prisão em regimes opressores, idéias podem ser armas mais poderosas que fuzis e granadas. Não é por acaso que nos regimes democráticos exista tanta preocupação em controlar os meios de comunicação...

Vilmar Berna

Expressar-se na forma escrita não é um simples ato de colocar palavras num papel ou digitar num teclado. A maior parte da ação de escrever é invisível para os olhos, acontece no mundo interior de quem escreve e pode refletir este esforço de buscar o equilíbrio entre as emoções, o pensamento e as praticas... a internet, os novos celulares, a banda larga, tem facilitado a vida de quem gosta de escrever e quer ser lido. Publicar deixou de ser privilégio de poucos... 

O ideal é quando o escritor consegue reunir à sua volta pessoas que compreendem que o ato de escrever não é apenas físico, mas requer recolhimento, silêncio interior, para ouvir-se e ouvir seus fantasmas, angústias, desejos, 'conversar' com seus amigos espirituais... assim como construímos redes de afetos no mundo físico, também o fazemos no mundo espiritual. Os escritores que gostamos formam nossa espécie de rede de 'amigos' espirituais, com os quais compartilha ideias, afinidades e valores, ainda que muitos já possam ter morrido a milênios ou vivam do outro lado do Planeta. Por isso, um escritor nunca esta só em seu mundo interior ... 

Mais que escrever para seu próprio prazer escreve-se por necessidade e dever. Escrever é a função social do escritor, seja para entreter, seja para ajudar na analise da conjuntura, mostrar alternativas, denunciar as falsas idéias e injustiças. Por isso, um texto não está completo quando é divulgado, mas quando é lido. E quando isso acontece, nenhum texto é igual ao outro, pois ao passar pelos olhos e pelo mundo interior do leitor, ganha nuances e identidade própria e particular... Sem os leitores, os textos não vão a lugar algum, não transformam coisa alguma, não amam nem são felizes. Não são os textos que mudam as coisas. São as pessoas. 

Texto de Vilmar Sidnei Demamam Berna 




Literatura com Ciência!


O poeta e crítico norte-americano Ezra Pound preconizou, que os artistas estão em tal sintonia com a profundidade do mundo que são capazes de “prever o futuro”. Você sabia que nosso Machado de Assis está entre esses escritores das mais diferentes estirpes, gêneros e nacionalidades que rivalizam com seus colegas de ficção científica e fazendo antecipações dignas de Júlio Verne!

Saiba mais AQUI!

A Irresistível letra “P”


Velho e bom texto só com a letra "P"

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor paulista, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora, pernoitando por perto. Prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulino pediu para pintar panelas. Posteriormente, pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir. Pediu permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.

Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso. Percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se, principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações. Pelos passos, percorriam permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo, Pedro Paulo, precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! 

“Preciso partir para Portugal porque pretendem, pela primavera, pintar principais portos, painéis, personalidades, prestigiando patrícios”, pensava Pedro Paulo. 
- Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo. 
- Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Passando pelo porto, penetrou pela pequena propriedade patriarcal pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: 
- Pediste permissão para praticar pintura, porém, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Por que pintas porcarias?
- Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém, prefiro poder procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal. 
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar. Pegando pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte, precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos. Passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Posteriormente, partiram pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.
Primeiramente, Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente, Pedro Paulo preferia pintar paredes, pisos, portas, portões, painéis. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo, pereceu pintando...

'Permita-me poder parar. Pretendo pensar. Peço perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar... Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto pararei'.

A Importância da Leitura



Até os que não praticam o “ler é importante” reconhecem o seu valor como modelo eficiente na busca do conhecimento individual e também coletivo, essencialmente universal.


Hoje existem diversas outras maneiras também eficazes para a obtenção do conhecimento, mas a leitura é ainda o melhor dos caminhos. O hábito, do qual tanto se fala como necessidade para o gosto pela leitura, lembra o de um corpo que aos poucos vai ganhando, com exercícios, o que chamamos de condicionamento físico.

Ler também é divertido. Ou não é? A leitura de um bom livro lembra paixão. Um bom livro não se larga, não se abandona, não se esquece. É assim que paixão vira amor.


O início – como tudo na vida – não é fácil. É preciso vontade. Opções mais sedutoras acabam nos levando para o menos trabalhoso. O pecado da preguiça opera desculpas e faltas disso e daquilo, provocando em nós o aparecimento do que chamamos de silêncio cultural. Silêncio cultural é a mesma coisa que falta de conteúdo. Corremos o risco de uma geração que só lê manchetes e links, que nem sempre, em sínteses, expressam o cerne da questão.
João Scortecci

Antes que eu esqueça, do que deve ser lembrado, é que o tal hábito da leitura passa pelo esforço das partes (mercado, profissionais do livro e governo) e de todos os agentes (professores, intelectuais e leitores). Não há educação quando a ignorância habita a família, a escola, o trabalho, os governos. Não há leitura sem o comprometimento do livro com suas mais diversas ferramentas. O livro precisa colocar-se aos olhos. Ele é mágico, oportuno e pluriapto. A inclusão cultural pela leitura deve, e precisa, passar pela coragem política do mundo real e virtual.

O livro pode até acabar, na forma como hoje o conhecemos, na plataforma papel, mas a leitura não. Exclusão tem cura quando não é doença. Adentrar em uma livraria não precisa ser um desafio incomum. 

Outro dia – ainda na minha adolescência – quando descobri que “ler é importante” alguém desavisado me disse: Um país se faz com homens e livros. Foi Lobato quem me disse do papel para o meu profundo despertar. Naquela tarde incomum atendi ao seu chamado.

Depois escutei também os segredos de Alencar, Sabino, Clarice, Machado, Bandeira, Cecília, Drummond, Graciliano, Lygia, Cabral, Bilac, Rachel, Callado, Gullar e todos os outros Amados.


Texto de João Scortecci - Fonte: Amigos do Livro





Apesar de você, hei de ler!



Luciana Nascimento e Sandra T. B. Cadiolli realizaram um excelente leitura da música “Apesar de Você “ do Chico Buarque. Confira AQUI!