quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Leitura como Metáfora Social


A leitura exige adesões. Pessoas interessadas em mudar o rumo de nossa história, quem ainda procura por onde começar, deve saber que o caminho é a leitura. É por intermédio dela que se planta o primeiro parágrafo de uma sociedade mais justa e cidadã. Semeando leituras, colhemos o prazer de ler e entender, com seus dilemas e suas perplexidades, mas também suas alegrias e possibilidades... 

Muito se fala do insatisfatório nível de alunos e professores na maioria das escolas de educação básica, de seu desinteresse, de sua precária produção escrita, de sua incapacidade de pensar criticamente e de forma criativa. Aprendemos com Paulo Freire que ensinar por meio do diálogo significa facilitar a aprendizagem, a construção conjunta do saber, criar e refletir com responsabilidade, acrescentando elementos para reflexão. A leitura pode desmanchar fronteiras, estendendo pontes sobre as diferenças. 

... em vão nos perguntamos, no espaço inadequado das salas de aula, o que o autor quis dizer com isso? Uma indagação mais profícua se praticada em centros de estudos mediúnicos. São raras as oportunidades de ampliação e aprofundamento do diálogo genuíno, obtendo dos alunos suas respostas sensoriais, emocionais, racionais ao lido... Os conteúdos são fragmentados, prescritos e predeterminados: a presença eventual de textos é mero pretexto para estudo gramatical, esvaziando sua leitura como obra de arte. Poucos alunos dominam a morfossintaxe da língua portuguesa, apesar de serem expostos a esse ensino ao longo de sua permanência na escola. Dizem que alunos pioram a cada ano, o nível está cada vez mais baixo, o analfabetismo funcional é a tônica, especialmente nas escolas da rede pública; brasileiros não lêem, não escrevem, não pensam.
Não lemos, escrevemos, nem pensamos. Seremos vítimas ou réus de um processo inadequado? Frente a tiragens milionárias e crescentes de jornais e revistas, será que só consideramos leitura o consumo dos clássicos do cânone literário? O que entra e sai? O que fazer com o estranhamento causado pelos neologismos... Como depreender sentidos, reconstruindo os processos de construção e criação literária? Precisamos fazer uma reflexão crítica sobre a língua e a literatura nacional. Aspectos gramaticais podem e devem ser tratados na medida em que sua análise efetivamente contribua para a melhor compreensão do texto, para o desfazimento dos nós interpretativos que impedem a leitura verdadeira, que atinge níveis mais profundos do pensamento, o acesso à potencialidade da palavra-arte, à construção de conhecimento da língua e da literatura, da leitura e da escritura. Ou seja, educar para a sociedade através da literatura: a educação literária como metáfora social. 

Texto de Cyana Leahy  



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Universo Fantástico



Ler um livro é ousar abrir-se para o outro, exigir que o outro seja como você o imagina é o avesso da experiência de leitura...

Tenho a impressão de que, se os jovens não gostam de ler, é porque não tiveram a experiência de ouvir a leitura feita por um possuído. É a experiência de ouvir que nos faz querer dominar a técnica da leitura para poder penetrar na emoção do texto...

A Literatura é um fenômeno social/cultural nascido de gêneros milenares, que permanecem vivos apesar da passagem dos séculos. Em geral cada civilização gerou os mitos ligados às crenças de cada povo e às suas maneiras de ver o mundo. Entrelaçados com o desenvolvimento da linguagem e da filosofia, as narrativas mitológicas constituem-se em relatos sobre deuses, heróis e antepassados, estruturados em torno de arquétipos – modelos ideais que permanecem até hoje no inconsciente humano, segundo Carl Gustav Jung. Com o passar do tempo, as narrativas religiosas que constituíam os mitos perderam seu valor sagrado, mas permaneceram nas narrativas profanas que continuaram na boca do povo, mudando de forma, emigrando para novas terras, revestindo-se de novas roupagens e adereços...

No livro Contos Fantásticos do Século XIX, diz Ítalo Calvino sobre a literatura fantástica: “Seu tema é a relação entre a realidade do mundo que habitamos e conhecemos por meio da percepção, e a realidade do mundo do pensamento que mora em nós e nos comanda. O problema da realidade daquilo que se vê – coisas extraordinárias que talvez sejam alucinações projetadas por nossa mente; coisas habituais que talvez ocultem, sob a aparência mais banal uma segunda natureza inquietante, misteriosa, aterradora – é a essência da literatura fantástica, cujos melhores efeitos se encontram na oscilação de níveis de realidade inconciliáveis

...Na imensa lista de nomes ligados ao Romantismo, é difícil encontrar quem não tenha escrito ao menos alguns contos em que imperam o maravilhoso, o extraordinário, o fantasmagórico. Em alguns textos nos defrontamos tanto com seres míticos e fantasmas, quanto com cientistas insanos e detetives inusitados.

Texto de Luis Dolhnikoff





Não Acredito! Meu Livro Chato?



A partir do momento em que nos entregamos a um livro... digamos...  chato, temos dois dilemas: um é tentar decifrar o que o autor quer nos contar com aquilo. O outro, é como que iremos conhecer o autor.

Cada autor tem sua forma de contar a história. As histórias complexas nos estimulam no senso crítico e de aprendizado, e desta forma, aprendemos a andar junto com o raciocínio do escritor.

Existem livros difíceis, mas se você resolver encara, descobrirá coisas preciosas que jamais poderia imaginar que encontraria em uma leitura cansativa.

Tudo funciona como uma arte de escavar um terreno acidentado em busca de jóias brutas, porém preciosas com a devida lapidação. Então prepare a mente e decifre. É hora de turbinar a sua imaginação.



Harry Potter e Dan Brown




Há intelectuais que afirmam que é uma estupidez achar que Harry Potter forma futuros leitores. Para eles, leitores de Harry Potter serão no máximo, futuros leitores de Dan Brown, não de “ficção séria”. O argumento prossegue afirmando: quem assiste à telenovela não necessariamente assistirá a filmes de Godard e Bergman. Apesar de ser verdade que muitos jovens que se apaixonaram pela saga do bruxinho nunca mais lerão nada na vida, também é certo de que leitura não é uma atividade fácil!

Sou incentivador ferrenho da leitura, sou viciado em leitura, sou poeta. Mas, não suporto o apelo poético de que a leitura é um prazer! Obviamente que absolvo desse pensamento os adeptos do sadomasoquismo! Em um universo com dezenas de estímulos audiovisuais por todos os lados, retirar-se para um canto para ler será considerado cada vez mais um hábito excêntrico. A leitura, além de não permitir a passividade da televisão, exige o cultivo da solidão e do silêncio. Ler não é uma atividade natural. Dói os braço! Os óio! O lombo! Até o bumbum dói!

Essa é a verdade sobre a atividade de leitura, porque não dizer a verdade a esses jovens? Seria intencional tal omissão? Sim, dizer a verdade sobre a atividade de leitura diz respeito ao seu poder conscientização como cidadão, seu poder de esclarecimento!

Harry Potter e Dan Brown é o que estão lendo. Certo, vamos falar sobre eles: Que segundo mundo é esse J.R. criou? Como criou? O que ela quer dizer com isso, com aquilo? Existe magia? O que é magia? Alguém da turma sabe fazer uma mágica? Vamos aprender fazer mágica? Tudo bem, essa frase: Blá,blá e blá, está em que livro? O coral afinado da turma dirá - Código da Vinci!!! Não meus queridos essa frase está em Santo Graal e a Linhagem Sagrada, mas muito antes esteve na boca de Percival... é isso meus queridos, a mágica é manipular nossos desejos e até criá-los. Como ratinhos num laboratório, respondemos ao bombardeio de estímulos para roda jamais deixar de girar. Talvez não fosse a intenção de Dan Brown, mais ele nos ensina que o passado sempre volta! Na aula de hoje falamos muito da fantasia de Código da Vinci e da Magia de Harry Potter, mas a grade verdade é que falamos sobre nós mesmos!

Então? Venceremos o desafio de dizer a verdade sobre a atividade de leitura? Mesmo sabendo que isso irremediavelmente abarcará uma intensa oralidade em sala! Sei que hoje a opção, é silenciá-la.


Profê de História



Essa para os Profê de história incrementar suas aulas.
Pinturas computadorizadas com personagens históricos, basta clicar e, tchan! A biografia do personagem tá na tela. Tem um porém, a grande maioria é no idioma inglês. Aliás, um ótimo porém! Taí a oportunidade de uma atividade interdisciplinar!


Eis aqui os links: 01  -  02  -  03

Visto que parceria é uma coisinha que dá trabalho... basta clicar no icone indicado na imagem, e redefinir o idioma.






Uma Tela de Computador




Mas, de repente, os saberes começaram a pulular fora dos limites da “escola tradicional”. Circulam livres no ar-sem depender de turmas, salas, aulas, programas, professores, livros-texto, dotados do poder divino da onipresença: o aprendiz aperta um botão e viaja instantaneamente pelo espaço.

Mas o fato é que ele se encontra diante de uma tela de computador. É um mundo virtual. Trata-se apenas de um meio. E é somente isso, essa alienação da realidade vital, que torna possível a sua imensidão potencialmente infinita. Mas, como disse McLuhan, “o meio é a mensagem”. E a “massagem”…

Há o perigo de que os fins, a vida, sejam trocados pelo fascínio dos meios-mais seguros e mais extensos. Fascinante esse novo espaço educativo. Não é preciso ser profeta para prever que ele irá se expandir além daquilo que podemos imaginar, especialmente em se considerando a sua ligação com interesses econômicos gigantescos. Mas é preciso perguntar: “Qual é o sentido desses meios para os milhões de pobres que não têm o que comer? E quais serão as consequências do seu fascínio virtual?”.

Por oposição ao conhecimento virtual, essas experiências de aprendizagem se constroem a partir dos problemas vitais com que os alunos se defrontam no seu cotidiano, no seu lugar, na sua particularidade. Não há programas universais definidos por uma burocracia ausente porque a vida não é programável.

Os desafios que enfrentam as crianças nas praias de Alagoas, nas favelas do Rio, nas matas da Amazônia e nas montanhas de Minas não são os mesmos. Além dos saberes que porventura venham a ser aprendidos, esses experimentos buscam o desenvolvimento da capacidade de ver, de maravilhar-se diante do mundo, de fazer perguntas e de pensar.

Tenho a esperança de que esses experimentos continuarão a pipocar, porque é neles que o meu coração se sente esperançoso.

RUBEM ALVES

Um Papo Sobre Leitura



Se você trabalha com o tema leitura não pode deixar de ver e ouvir esse vídeo. AQUI
Denise Guilherme / Mara Dias


Como Encontrar Tempo Para Leitura?




10 Dicas certas de Douglas Eralldo - AQUI
Entendeu?! Certa... Eralldo... 




O Papel da Leitura



Em termos de organização social, a leitura é um fator determinante em todas as relações desenvolvidas nos setores da atividade humana.

Através da interação com os textos, o leitor desenvolve uma visão crítica da realidade, sabe os motivos de as coisas serem como são. Ele interage com o texto, penetra nos referenciais construídos pelo autor, e desvenda-os, sem perder de vista os problemas e as necessidades do seu contexto.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O Problema da Leitura e a Leitura dos Problemas



...Allan Bloom, no seu O Declínio da Cultura Ocidental, queixa-se da falta de profundidade e altitude intelectual dos muitos jovens... A título de exemplo, conta que, perguntando aos alunos o que é o mal, obteve a resposta unânime e imediatista: "Hitler". Com efeito, Hitler não passa de uma referência histórica, é apenas uma imagem ou uma metáfora das crueldades do século XX, não uma definição metafisicamente válida do mal. Foi mau, mas não é o mal...


... Ou a pessoa se preenche de idéias, e se eleva, ou passa a caminhar no nível mais horizontalizante, que tende ao declive, ao infra-humano. E boa parte da plenitude intelectual de que tanto sentimos falta obtém-se na leitura, nessa agricultura mental que consiste em colher das palavras o sabor e a substância.

... Ler, na verdade, é mais do que decodificar um texto. A leitura eficiente vê o não escrito. Exatamente como devemos nós, ao consultar um plano de saúde que nos é proposto, deduzir os serviços e necessidades que não são cobertos pelo plano.

Uma leitura das entrelinhas é uma leitura meditada. Meditar, aceitando uma etimologia imaginária (mas muito sugestiva), é me ditar, é ditar-me palavras maduras, que nascem da reflexão, do desejo de ouvir em minha mente uma voz mais pura, mais verdadeira.

Voz capaz de sussurrar o que realmente é importante, ou seja, o que contribui para a humanização do homem, tão propenso a permitir que seus instintos mais baixos... falem mais alto.

A leitura não é uma fuga da realidade. É uma fuga para a realidade. Mas exige do leitor uma qualidade, um interesse, uma preocupação. O desejo sincero de encarar os grandes problemas, sem querer resolvê-los, dissolvê-los, extingui-los, como se o ser humano fosse onipotente...



... Ler é sonhar acordado. É acordar do falso sonho dos imediatistas. E despertar para a real função da linguagem: "exprimir as relações das coisas" (Simone Weil).

...o telejornal..., dentro dos quais um desastre aéreo, o nascimento de um jacarezinho no zoológico, o Dia das mães, a corrupção política, o Japão e o nordeste, a receita culinária e o assassino cruel são mostrados num mesmo plano, como se fossem todas as notícias importantes, sem um "porém", sem um "portanto" que os relacione, concretizando em nossas mentes, afinal, o absurdo, e nos deixando sem ação, a leitura inteligente que faz pensar, inteligir (intus + legere = ler dentro), torna-se condição de sobrevivência.

Ler ou não ser. Ler ou não ver. Ler ou não ter a força criativa de organizar com os olhos o volume e o peso do caos.


Autor Gabriel Perissé
TEXTO NA INTEGRA AQUI