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domingo, 15 de março de 2020

Relações



Ler é estabelecer relações entre o que se conhece e o que se apresenta como novo. Basicamente é uma capacidade adquirida e aperfeiçoada pela experiência. Mesmo quando se fala metaforicamente. 

Na comunicação imediata, entre interlocutores, há outros fatores que podem ser levados em conta, como gestos, expressões faciais, tom de voz. Em um texto diminuem consideravelmente esses fatores que influenciam na apreensão da significação de um ato de comunicação e, portanto, são necessários cuidados adicionais para que a mensagem preserve o significado original atribuído por seu produtor. Acreditamos ser esse um dos fatores mais intrigantes da leitura: a ausência do destinatário no momento da produção do texto e a ausência do destinador no momento da recepção do texto.

Outras questões pertinentes sobre leitura são: de onde vem, o sentido daquilo que se lê? Quem é responsável pela construção do sentido na obra: o autor, o leitor ou o texto Um pouco em cada um, e nunca completamente em nenhum. O leitor, guiado pela obra e pelo autor, adiciona ou subtrai da obra significados de acordo com sua própria experiência. O autor, como construtor do texto, é responsável por parte do seu significado, mas não consegue controlar toda significação produzida.

Eco (1993) nos fala de livros seus cujos leitores encontraram referências sobre as quais ele não tinha pensado, mas que ele não podia negar que estavam ali construídas como significados em sua obra.

Eco menciona também que, como autor, “escondeu” no texto certos significados que só poderiam ser descobertos por um leitor mais arguto, justificando que o texto também poderia ter sido compreendido por alguém que não conhecesse aquelas referências, mas que se tornaria mais saboroso àqueles que as reconhecessem.



Antigo não é Raro!



Um livro não é valioso porque é antigo, toda biblioteca pública está cheia de livros antigos, que, se fossem postos à venda, não valeriam mais que o seu peso como papel velho. O valor de um livro nada tem que ver com a sua idade.

Quando se trata de raridade, deve-se tomar cuidado porque ela é relativa e depende de alguns fatores. A primeira grande impressão é pensar que livros velhos são raros. Livro velho nem sempre é raro, existem livros velhos que nada valem, mas livros antigos publicados no berço da invenção da tipografia de Gutenberg ou anteriores a 1504, os incunábulos, como são conhecidos, que são raros, pois sobreviveram ao castigo do tempo e foram preservados por gerações de bibliófilos e bibliotecários.

Unicidade pode tornar um livro em raridade. Entretanto, o fato de um livro ser único também não indica que é raro, pois é impossível pré-determinar as características de um livro raro, porque cada livro é um universo restrito de manifestações culturais – originais e acrescentados.

O estado de um livro e sua conservação também é importante. Mas, a conservação de livros não se aplica somente ao papel, mas também ao tipo de matéria usada na encadernação e, se for original, o livro pode valer mais ainda.

As primeiras edições também são características muito almejadas pelos amantes dos livros. O livreiro A.S.W. Rosenbach (1873-1946), um dos maiores caçadores de obras raras americanas e um dos primeiros a usar a coleção de livros como fonte de investimento financeiro, certa vez disse: “uma primeira edição para um autor é tão seu trabalho original quanto uma pintura é para um pintor”. A esse fator podemos lincar a popularidade do autor e a aceitação do público pela obra.

Livros também costumam a ser valorizados quando possuem assinaturas, dedicatórias ou comentários do autor sobre a primeira edição impressa, ou comentários de outros escritores.

Ex-libris são selos ou figuras ricamente ilustradas e com citações geralmente em latim feitas para identificar o dono do livro. É como um carimbo que marca a posse da obra – em geral rara. Os ex-libris ajudam a identificar o valor do livro e também são objetos em si de colecionismo.

Erratas também podem tornar livros raros, como no caso da bíblia inglesa de 1631, que vale muito dinheiro, simplesmente por que o tipógrafo esqueceu o ‘não’ ao Imprimir o Sétimo Mandamento ‘Não cometerás adultério’. A brincadeira custou trezentas libras ao gaiato e toda a edição foi queimada, com receio de que os leitores não percebessem o engano e seguissem o mandamento tal qual tinha sido impresso. Mas sobraram quatro exemplares.

Mesmo em tempos de massificação e de universalização, não se poderá impedir os colecionadores de construir a raridade. Porque apesar da raridade ser objetiva, ela é, de fato, com freqüência construída. Um livro é raro a partir do momento em que há bibliófilos para procurá-lo. Se não há ninguém interessado, mesmo que tenha sido publicado em um único exemplar, ele não é raro.

Estamos falando da bibliofilia, que começa no fim do século XVII ou no começo do século XVIII, nos meios financeiros, e supõe que seja definido o universo do colecionável. 

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Os incunábulos – do latim “in cuna” (no berço) foram os primeiros livros impressos na invenção da imprensa tipográfica dentre o período de 1455 a 1500 quando surgiu um novo método de impressão.

Os incunábulos são os precursores do livro como hoje conhecemos; representam a evolução da arte da impressão até atingir a sua maturidade, a transição das tradições artísticas e eruditas para métodos mais modernos e profissionais. Os primeiros incunábulos se assemelhavam aos manuscritos: não havia nenhuma informação na primeira folha, os tipos imitavam a caligrafia da época, inclusiva nas ligaduras e abreviações.

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Autor: Fernando Mustafá Costa
Fonte: Monografia de Conclusão do Curso de Biblioteconomia
Orientador: Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro - São Paulo, 05/13/2009