quinta-feira, 2 de abril de 2015

Níveis de leitura



Para Adler, existem quatro níveis de leitura. Repare que são "níveis" e não "tipos", porque os níveis mais altos absorvem os mais baixos. São eles, do mais baixo para o mais alto:
   1.   Leitura Elementar - corresponde ao nível ensinado na escola primária. A preocupação de quem lê nesse nível é com a linguagem em si, a decodificação da escrita, que com qualquer outra coisa. A pergunta que norteia esse nível é: "O que a frase diz?".
   2.   Leitura Averiguativa (também chamada de "pré-leitura" ou "garimpagem") - este nível é voltado para a melhor avaliação possível de um texto ou livro num período curto de tempo. Por exemplo, quando estamos de passagem por uma livraria, vemos um livro que parece interessante e precisamos saber se ele é bom antes de decidirmos se vamos comprá-lo. Existem alguns bons macetes para isso, dos quais trataremos mais adiante. Por ora, basta saber que a pergunta básica deste nível é: "Este livro é sobre o quê?".
   3.   Leitura Analítica - é a leitura completa, a melhor que se pode fazer, ativa por excelência. No dizer de Adler, "se a leitura averiguativa é a melhor que se pode fazer num determinado período de tempo, então a leitura analítica é a melhor leitura possível quando não existe limite de tempo". É um nível de leitura voltado basicamente para a compreensão, de modo que, se seu objetivo é apenas informação ou entretenimento, ele pode não ser necessário.

   4.   Leitura Sintópica ou Comparativa - implica a leitura de muitos livros sobre um certo tema, pondo-os em relação uns com os outros e com o tema. Estudantes de Ciências Humanas são obrigados a se familiarizar com ela. É o nível mais difícil de se alcançar, e não há pleno acordo sobre suas regras. Porém, é também o mais recompensador de todos os níveis.

Livros Raros



Ao longo de um ano, milhares de livros são publicados e estão à disposição de bibliotecas, sebos e livrarias físicas ou digitais com material diverso. No entanto, mesmo com tanta disponibilidade dos bibliófilos de encontrarem livros, existem algumas peculiaridades na coleção de livros que fazem com que alguns deles sejam mais procurados e almejados que outros. Essas peculiaridades são: raridade, condição (estado físico do livro), primeiras edições, e outras características como erratas e autógrafos, inscrições, marginália, ex-líbris e o quanto é procurado. De certa forma, as peculiaridades citadas também valem para outros tipos de coleções em geral.
Raridade: Quando se trata de raridade, deve-se tomar cuidado porque ela é relativa e depende de alguns fatores. A primeira grande impressão é pensar que livros velhos são raros. Livro velho nem sempre é raro, existem livros velhos que nada valem, mas livros antigos publicados no berço da invenção da tipografia de Gutenberg ou anteriores a 1504, os incunábulos, como são conhecidos, que são raros, pois sobreviveram ao castigo do tempo e foram preservados por gerações de bibliófilos e bibliotecários.
Um livro não é valioso porque é antigo, toda biblioteca pública está cheia de livros antigos, que, se fossem postos à venda, não valeriam mais que o seu peso como papel velho. O valor de um livro nada tem que ver com a sua idade.
Unicidade: outra característica importante que pode tornar um livro em raridade é sua unicidade. Entretanto, o fato de um livro ser único também não indica que é raro, pois é impossível pré-determinar as características de um livro raro, porque cada livro é um universo restrito de manifestações culturais – originais e acrescentados.

Condição: o estado de um livro e sua conservação também é importante. Mas, a conservação de livros não se aplica somente ao papel, mas também ao tipo de matéria usada na encadernação e, se for original, o livro pode valer mais ainda.
Primeiras edições: as primeiras edições também são características muito almejadas pelos amantes dos livros. O livreiro A.S.W. Rosenbach (1873-1946), um dos maiores caçadores de obras raras americanas e um dos primeiros a usar a coleção de livros como fonte de investimento financeiro, certa vez disse: “uma primeira edição para um autor é tão seu trabalho original quanto uma pintura é para um pintor”. A esse fator podemos lincar a popularidade do autor e a aceitação do público pela obra.
Outras características: Livros também costumam a ser valorizados quando possuem assinaturas, dedicatórias ou comentários do autor sobre a primeira edição impressa, ou comentários de outros escritores.

Ex-líbris são selos ou figuras ricamente ilustradas e com citações geralmente em latim feitas para identificar o dono do livro. É como um carimbo que marca a posse da obra – em geral rara. Os ex-líbris ajudam a identificar o valor do livro e também são objetos em si de colecionismo.

Erratas também podem tornar livros raros, como no caso da bíblia inglesa de 1631, que vale muito dinheiro, simplesmente por que o tipógrafo esqueceu o ‘não’ ao Imprimir o Sétimo Mandamento ‘Não cometerás adultério’. A brincadeira custou trezentas libras ao gaiato e toda a edição foi queimada, com receio de que os leitores não percebessem o engano e seguissem o mandamento tal qual tinha sido impresso. Mas sobraram quatro exemplares.
Roger Chartier resume a maioria desses conceitos na afirmação:
Mesmo em tempos de massificação e de universalização, não se poderá impedir os colecionadores de construir a raridade. Porque apesar da raridade poder ser objetiva, ela é, de fato, com freqüência construída. Um livro é raro a partir do momento em que há bibliófilos para procurá-lo. Se não há ninguém interessado, mesmo que tenha sido publicado em um único exemplar, ele não é raro. É uma história absolutamente apaixonante a da bibliofilia, que começa no fim do século XVII ou no começo do século XVIII, nos meios financeiros, e supõe que seja definido o universo do colecionável. Podem ser todos os livros impressos antes de certa data, ou todos os livros que têm o mesmo suporte material, rico e luxuoso, ou todos os livros que pertencem ao mesmo gênero literário, ou ainda todos os livros saídos da mesma oficina tipográfica etc. Um critério de raridade se põe em marcha, definindo o colecionável pela série. Daí, livreiros que se especializam neste mercado publicam catálogos descrevendo as obras que são postas à venda segundo regras particulares, atentas às particularidades de cada exemplar. Progressivamente, o gosto desses colecionadores será conduzido com mais facilidade (mas não necessariamente) para os objetos mais custosos, fazendo do livro raro um investimento.

Fonte
MONOGRAFIA DE CONCLUSÃO DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
AUTOR: FERNANDO MUSTAFÁ COSTA
Orientador: Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro
São Paulo, 05 de dezembro de 2009
TCC_Bibliofilia_Fernando Mustafa
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