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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Ler e-book, sim ou Não?!


... Para o leitor tradicionalista, publicações em papel têm um apelo sensorial; e também o da coleção. É como se ele precisasse, de alguma forma, materializar e possuir para sempre os objetos de suas paixões... Para ele, os bons textos lidos devem enfeitar, além da alma, também as prateleiras. De minha parte, quando julgo oportuno conservar algo concreto de um livro, prefiro o arquivo eletrônico, pois com ele posso achar facilmente eventuais trechos que desejo rememorar...

O conforto na leitura é um dos argumentos não emocionais mais comumente usados pelos defensores das publicações em papel, mas, a meu ver, um dos mais fracos. O volume encadernado teria maior manuseabilidade, seria de leitura mais fácil e se adaptaria a qualquer situação e lugar (ônibus, praia, cama etc.). Seria tudo isso verdade? Vejamos… Para ganhar uma boa empunhadura, não raro o livro físico precisa ser esgarçado na lombada, liberando minimamente as mãos do esforço de mantê-lo aberto (algo impensável se o leitor pretende preservar a boa aparência de seu futuro enfeite de estante). Em ambientes pouco iluminados, o papel – incapaz de emanar luz própria – exige artifícios como abajures ou lâmpadas bem posicionadas, ao contrário dos displays digitais (os mais modernos utilizam a tecnologia da tinta eletrônica e têm iluminação reflexiva, não agressiva aos olhos). Além disso, não há recursos no livro físico para aumentar fontes originalmente pequenas. Não foram poucas as vezes em que desisti de ler (ou forcei desconfortavelmente a vista) por estar em local escuro, por não ter como ajustar a lâmpada na direção necessária, por não conseguir adaptar meus olhos às letras ou por estar sem posição (ou “sem mão”) para segurar o livro com conforto. Nada disso aconteceria com um e-book reader, que é tão facilmente transportável quanto qualquer publicação física, com a vantagem adicional de um único aparelho armazenar incontáveis títulos. Leva-se uma biblioteca na bolsa.


Diante de tantas vantagens a favor dos e-books, talvez esteja faltando apenas uma fase de adaptação e desapego (como a experimentada pelos audiófilos) para o público abraçar de vez a leitura digital. Mas as editoras e os fabricantes dos readers também precisam fazer a sua parte. Muitos leitores adaptados ao e-book (e a parcela dos reticentes que gostaria de dar uma chance ao novo formato) reclamam da pouca oferta de títulos digitais e dos preços cobrados por eles, que podem chegar a inexplicáveis 70% em relação às versões físicas. E os aparelhos ainda representam um custo considerável para aqueles que desejam se tornar definitivamente um leitor dos novos tempos. Superando-se essas e outras barreiras, é bem provável uma inversão de papeis em breve: o e-book pode passar a ser o padrão; o livro físico, a alternativa.

Texto “E-books: ter ou não ter, eis a questão” de Sergio Carmach 

Fonte: APED Editora - Texto na íntegra AQUI!


Gostamos desse texto!


Para compreender, adequadamente, a importância da leitura e da escrita em nossas vidas, precisamos compreender que assim como o nosso corpo material precisa de alimento, o espiritual também. É importante aqui corrigir uma falsa ideia, a de que os termos 'espiritual' ou 'espiritualidade' referem-se exclusivamente ao seu sentido religioso. É compreensível que isso ocorra, por que é aí que os que têm fé na divindade elaboram e abrigam suas idéias e sentimentos em relação ao sagrado.

Entretanto, ateus também tem fé em um mundo melhor e de que as pessoas podem mudar. Possuem seu lado espiritual, só que no sentido não religioso do termo, onde elaboram idéias, afetos, esperanças. E também espiritualidade, no sentido de ligação com a natureza, com o Cosmo...

Outra falsa ideia é que podemos comunicar a verdade. Podemos percebê-la, mas ao comunicar sobre ela, levamos junto uma parte da nossa subjetividade como observador. Então, não existe comunicação imparcial. O que é verdadeiro para um pode não ser para o outro... Por que não existe uma pessoa igual à outra, e também não pode existir verdade única, religião única, pensamento único. E isso inclui esta própria afirmação que acabo de fazer, daí a dificuldade de se andar em terreno firme e seguro quando o assunto é a subjetividade.


Então, ler e escrever é muito mais que dominar técnicas literárias, é obter as chaves desse mundo interior, de nossa verdade, e ter acesso a dos outros. Uma forma de nos ajudar a perceber, compreender e elaborar nossa própria subjetividade contribuindo para dar sentido ao mundo, a nós próprios e aos outros. Claro que existem outras formas de fazer isso, principalmente nas culturas orais, mas na cultura letrada, ler e escrever são fundamentais para ser e sentir-se adequadamente inseridos no mundo. 

Precisamos disso, pois ao contrário do que possa imaginar, o processo de formação do sujeito é na verdade uma auto-formação. A educação, os livros, a cultura, os meios de comunicação exercem influências sobre nós, mas o que somos resulta de nossas escolhas. Comunicadores em geral, educadores, e escritores, em particular, cumprem com o papel social de nos ajudar a construir nossa subjetividade, nossa compreensão da verdade e utopias e, embora não escolham por nos, contribuem para iluminar nossos caminhos. 

Outra falsa ideia é que a pratica é mais importante que a teoria. A prática começa nas idéias. A motivação para agir não está na própria ação, mas em nosso mundo interior. E como a leitura e a escrita nos conectam a este mundo, nos incentivam - ou não - a agir seja para manter as coisas como estão ou para mudá-las. Por essa razão, jornalistas, artistas e escritores são os primeiros a sofrer censura e prisão em regimes opressores, idéias podem ser armas mais poderosas que fuzis e granadas. Não é por acaso que nos regimes democráticos exista tanta preocupação em controlar os meios de comunicação...


Expressar-se na forma escrita não é um simples ato de colocar palavras num papel ou digitar num teclado. A maior parte da ação de escrever é invisível para os olhos, acontece no mundo interior de quem escreve e pode refletir este esforço de buscar o equilíbrio entre as emoções, o pensamento e as praticas... a internet, os novos celulares, a banda larga, tem facilitado a vida de quem gosta de escrever e quer ser lido. Publicar deixou de ser privilégio de poucos... 

O ideal é quando o escritor consegue reunir à sua volta pessoas que compreendem que o ato de escrever não é apenas físico, mas requer recolhimento, silêncio interior, para ouvir-se e ouvir seus fantasmas, angústias, desejos, 'conversar' com seus amigos espirituais... assim como construímos redes de afetos no mundo físico, também o fazemos no mundo espiritual. Os escritores que gostamos formam nossa espécie de rede de 'amigos' espirituais, com os quais compartilha ideias, afinidades e valores, ainda que muitos já possam ter morrido a milênios ou vivam do outro lado do Planeta. Por isso, um escritor nunca esta só em seu mundo interior ... 

Mais que escrever para seu próprio prazer escreve-se por necessidade e dever. Escrever é a função social do escritor, seja para entreter, seja para ajudar na analise da conjuntura, mostrar alternativas, denunciar as falsas idéias e injustiças. Por isso, um texto não está completo quando é divulgado, mas quando é lido. E quando isso acontece, nenhum texto é igual ao outro, pois ao passar pelos olhos e pelo mundo interior do leitor, ganha nuances e identidade própria e particular... Sem os leitores, os textos não vão a lugar algum, não transformam coisa alguma, não amam nem são felizes. Não são os textos que mudam as coisas. São as pessoas. 

Texto de Vilmar Sidnei Demamam Berna 
Fonte: Vilmarberna.com.br 
Texto na íntegra AQUI!


Sujeito não Leitor


Tese: um posicionamento do sujeito

... os alunos que não têm interesse na leitura são resistentes na hora de produzir textos e, quando produzem, não seguem os padrões do gênero. Sim, pois uma prática está ligada a outra. Só escrevem bem um texto dissertativo-argumentativo quem tem "conteúdo" e posicionamento formado frente questões polêmicas da sociedade.

Utilizo conteúdo entre aspas, pois o considero como nosso repertório de leitura, de acordo com a fase em que estamos vivendo, dependendo do objetivo desta prática: ler por prazer, por estudo, por interesse pelo assunto, entre outros. Posicionar-se significa colocar-se no mundo como sujeito que pensa e faz a diferença na sociedade em que vive. Que pode agir e propor mudanças diante das questões polêmicas que se colocam no centro das discussões sociais.

Somos bombardeados diariamente pela mídia por argumentos e mais argumentos relacionados a temas que se destacam e dão audiência. Argumentos, todos temos. Mas o que muitas vezes não fica claro é o fato anterior aos argumentos: a tese. Pois bem, na prática, os alunos sequer conseguem entender que uma tese deve apresentar sujeito, verbo e complemento e sentem muita dificuldade em elaborá-la. Sequer conseguem perceber que ela pode ser refutada, criando-se, então, um contra-argumento. Isso porque são maus leitores ou vão pela onda popular, pelo que escutaram...


Muitos textos que leio apresentam um conteúdo apenas dissertativo. Ou seja, aquele que fala sobre o tema, mas não apresenta qualquer aprofundamento ou ponto de vista em relação ao problema tratado. O aluno, muitas vezes, não percebe a questão polêmica que leva à reflexão do tema... 

...Já diz a Psicanálise que o sujeito só se torna sujeito quando enuncia o verbo. O verbo é a ação, é o estado, é a forma do sujeito se colocar no mundo. Se ele não se coloca e tenta intervir no problema, fica apenas como um mero reprodutor de outras falas já existentes na sociedade. 

Planejar um texto é, antes de tudo, refletir sobre o tema e observar o problema que se coloca diante da discussão apresentada. Muitos alunos resistem em fazer o planejamento, ou seja, sintetizar os pensamentos para partir para a escrita e análise das propostas. A tese parte de um problema... 

Um bom texto dissertativo-argumentativo parte de uma tese bem elaborada... então é preciso saber o que se está propondo... 

Texto de Marilisa Cardoso - Mestre em Língua Portuguesa, graduada em Letras e Pedagoga, criou o blog Ler e compreender com o intuito de compartilhar suas leituras, textos e conteúdos. 

Texto na íntegra AQUI!

A Importância da Leitura



Até os que não praticam o “ler é importante” reconhecem o seu valor como modelo eficiente na busca do conhecimento individual e também coletivo, essencialmente universal.

Hoje existem diversas outras maneiras também eficazes para a obtenção do conhecimento, mas a leitura é ainda o melhor dos caminhos. O hábito, do qual tanto se fala como necessidade para o gosto pela leitura, lembra o de um corpo que aos poucos vai ganhando, com exercícios, o que chamamos de condicionamento físico.

Ler também é divertido. Ou não é? A leitura de um bom livro lembra paixão. Um bom livro não se larga, não se abandona, não se esquece. É assim que paixão vira amor.


O início – como tudo na vida – não é fácil. É preciso vontade. Opções mais sedutoras acabam nos levando para o menos trabalhoso. O pecado da preguiça opera desculpas e faltas disso e daquilo, provocando em nós o aparecimento do que chamamos de silêncio cultural. Silêncio cultural é a mesma coisa que falta de conteúdo. Corremos o risco de uma geração que só lê manchetes e links, que nem sempre, em sínteses, expressam o cerne da questão.
João Scortecci

Antes que eu esqueça, do que deve ser lembrado, é que o tal hábito da leitura passa pelo esforço das partes (mercado, profissionais do livro e governo) e de todos os agentes (professores, intelectuais e leitores). Não há educação quando a ignorância habita a família, a escola, o trabalho, os governos. Não há leitura sem o comprometimento do livro com suas mais diversas ferramentas. O livro precisa colocar-se aos olhos. Ele é mágico, oportuno e pluriapto. A inclusão cultural pela leitura deve, e precisa, passar pela coragem política do mundo real e virtual.

O livro pode até acabar, na forma como hoje o conhecemos, na plataforma papel, mas a leitura não. Exclusão tem cura quando não é doença. Adentrar em uma livraria não precisa ser um desafio incomum. 

Outro dia – ainda na minha adolescência – quando descobri que “ler é importante” alguém desavisado me disse: Um país se faz com homens e livros. Foi Lobato quem me disse do papel para o meu profundo despertar. Naquela tarde incomum atendi ao seu chamado.

Depois escutei também os segredos de Alencar, Sabino, Clarice, Machado, Bandeira, Cecília, Drummond, Graciliano, Lygia, Cabral, Bilac, Rachel, Callado, Gullar e todos os outros Amados.


Texto de João Scortecci - Fonte: Amigos do Livro





Leitura como Metáfora Social


A leitura exige adesões. Pessoas interessadas em mudar o rumo de nossa história, quem ainda procura por onde começar, deve saber que o caminho é a leitura. É por intermédio dela que se planta o primeiro parágrafo de uma sociedade mais justa e cidadã. Semeando leituras, colhemos o prazer de ler e entender, com seus dilemas e suas perplexidades, mas também suas alegrias e possibilidades... 

Muito se fala do insatisfatório nível de alunos e professores na maioria das escolas de educação básica, de seu desinteresse, de sua precária produção escrita, de sua incapacidade de pensar criticamente e de forma criativa. Aprendemos com Paulo Freire que ensinar por meio do diálogo significa facilitar a aprendizagem, a construção conjunta do saber, criar e refletir com responsabilidade, acrescentando elementos para reflexão. A leitura pode desmanchar fronteiras, estendendo pontes sobre as diferenças. 

... em vão nos perguntamos, no espaço inadequado das salas de aula, o que o autor quis dizer com isso? Uma indagação mais profícua se praticada em centros de estudos mediúnicos. São raras as oportunidades de ampliação e aprofundamento do diálogo genuíno, obtendo dos alunos suas respostas sensoriais, emocionais, racionais ao lido... Os conteúdos são fragmentados, prescritos e predeterminados: a presença eventual de textos é mero pretexto para estudo gramatical, esvaziando sua leitura como obra de arte. Poucos alunos dominam a morfossintaxe da língua portuguesa, apesar de serem expostos a esse ensino ao longo de sua permanência na escola. Dizem que alunos pioram a cada ano, o nível está cada vez mais baixo, o analfabetismo funcional é a tônica, especialmente nas escolas da rede pública; brasileiros não lêem, não escrevem, não pensam.
Não lemos, escrevemos, nem pensamos. Seremos vítimas ou réus de um processo inadequado? Frente a tiragens milionárias e crescentes de jornais e revistas, será que só consideramos leitura o consumo dos clássicos do cânone literário? O que entra e sai? O que fazer com o estranhamento causado pelos neologismos... Como depreender sentidos, reconstruindo os processos de construção e criação literária? Precisamos fazer uma reflexão crítica sobre a língua e a literatura nacional. Aspectos gramaticais podem e devem ser tratados na medida em que sua análise efetivamente contribua para a melhor compreensão do texto, para o desfazimento dos nós interpretativos que impedem a leitura verdadeira, que atinge níveis mais profundos do pensamento, o acesso à potencialidade da palavra-arte, à construção de conhecimento da língua e da literatura, da leitura e da escritura. Ou seja, educar para a sociedade através da literatura: a educação literária como metáfora social. 

Texto de Cyana Leahy  - Fonte: Amigos do Livro
Artigo na Integra AQUI



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Universo Fantástico



Ler um livro é ousar abrir-se para o outro, exigir que o outro seja como você o imagina é o avesso da experiência de leitura...

Tenho a impressão de que, se os jovens não gostam de ler, é porque não tiveram a experiência de ouvir a leitura feita por um possuído. É a experiência de ouvir que nos faz querer dominar a técnica da leitura para poder penetrar na emoção do texto...

A Literatura é um fenômeno social/cultural nascido de gêneros milenares, que permanecem vivos apesar da passagem dos séculos. Em geral cada civilização gerou os mitos ligados às crenças de cada povo e às suas maneiras de ver o mundo. Entrelaçados com o desenvolvimento da linguagem e da filosofia, as narrativas mitológicas constituem-se em relatos sobre deuses, heróis e antepassados, estruturados em torno de arquétipos – modelos ideais que permanecem até hoje no inconsciente humano, segundo Carl Gustav Jung. Com o passar do tempo, as narrativas religiosas que constituíam os mitos perderam seu valor sagrado, mas permaneceram nas narrativas profanas que continuaram na boca do povo, mudando de forma, emigrando para novas terras, revestindo-se de novas roupagens e adereços...

No livro Contos Fantásticos do Século XIX, diz Ítalo Calvino sobre a literatura fantástica: “Seu tema é a relação entre a realidade do mundo que habitamos e conhecemos por meio da percepção, e a realidade do mundo do pensamento que mora em nós e nos comanda. O problema da realidade daquilo que se vê – coisas extraordinárias que talvez sejam alucinações projetadas por nossa mente; coisas habituais que talvez ocultem, sob a aparência mais banal uma segunda natureza inquietante, misteriosa, aterradora – é a essência da literatura fantástica, cujos melhores efeitos se encontram na oscilação de níveis de realidade inconciliáveis

...Na imensa lista de nomes ligados ao Romantismo, é difícil encontrar quem não tenha escrito ao menos alguns contos em que imperam o maravilhoso, o extraordinário, o fantasmagórico. Em alguns textos nos defrontamos tanto com seres míticos e fantasmas, quanto com cientistas insanos e detetives inusitados.

Texto de Luis Dolhnikoff





Harry Potter e Dan Brown




Há intelectuais que afirmam que é uma estupidez achar que Harry Potter forma futuros leitores. Para eles, leitores de Harry Potter serão no máximo, futuros leitores de Dan Brown, não de “ficção séria”. O argumento prossegue afirmando: quem assiste à telenovela não necessariamente assistirá a filmes de Godard e Bergman. Apesar de ser verdade que muitos jovens que se apaixonaram pela saga do bruxinho nunca mais lerão nada na vida, também é certo de que leitura não é uma atividade fácil!

Sou incentivador ferrenho da leitura, sou viciado em leitura, sou poeta. Mas, não suporto o apelo poético de que a leitura é um prazer! Obviamente que absolvo desse pensamento os adeptos do sadomasoquismo! Em um universo com dezenas de estímulos audiovisuais por todos os lados, retirar-se para um canto para ler será considerado cada vez mais um hábito excêntrico. A leitura, além de não permitir a passividade da televisão, exige o cultivo da solidão e do silêncio. Ler não é uma atividade natural. Dói os braço! Os óio! O lombo! Até o bumbum dói!

Essa é a verdade sobre a atividade de leitura, porque não dizer a verdade a esses jovens? Seria intencional tal omissão? Sim, dizer a verdade sobre a atividade de leitura diz respeito ao seu poder conscientização como cidadão, seu poder de esclarecimento!

Harry Potter e Dan Brown é o que estão lendo. Certo, vamos falar sobre eles: Que segundo mundo é esse J.R. criou? Como criou? O que ela quer dizer com isso, com aquilo? Existe magia? O que é magia? Alguém da turma sabe fazer uma mágica? Vamos aprender fazer mágica? Tudo bem, essa frase: Blá,blá e blá, está em que livro? O coral afinado da turma dirá - Código da Vinci!!! Não meus queridos essa frase está em Santo Graal e a Linhagem Sagrada, mas muito antes esteve na boca de Percival... é isso meus queridos, a mágica é manipular nossos desejos e até criá-los. Como ratinhos num laboratório, respondemos ao bombardeio de estímulos para roda jamais deixar de girar. Talvez não fosse a intenção de Dan Brown, mais ele nos ensina que o passado sempre volta! Na aula de hoje falamos muito da fantasia de Código da Vinci e da Magia de Harry Potter, mas a grade verdade é que falamos sobre nós mesmos!

Então? Venceremos o desafio de dizer a verdade sobre a atividade de leitura? Mesmo sabendo que isso irremediavelmente abarcará uma intensa oralidade em sala! Sei que hoje a opção, é silenciá-la.


Uma Tela de Computador




Mas, de repente, os saberes começaram a pulular fora dos limites da “escola tradicional”. Circulam livres no ar-sem depender de turmas, salas, aulas, programas, professores, livros-texto, dotados do poder divino da onipresença: o aprendiz aperta um botão e viaja instantaneamente pelo espaço.

Mas o fato é que ele se encontra diante de uma tela de computador. É um mundo virtual. Trata-se apenas de um meio. E é somente isso, essa alienação da realidade vital, que torna possível a sua imensidão potencialmente infinita. Mas, como disse McLuhan, “o meio é a mensagem”. E a “massagem”…

Há o perigo de que os fins, a vida, sejam trocados pelo fascínio dos meios-mais seguros e mais extensos. Fascinante esse novo espaço educativo. Não é preciso ser profeta para prever que ele irá se expandir além daquilo que podemos imaginar, especialmente em se considerando a sua ligação com interesses econômicos gigantescos. Mas é preciso perguntar: “Qual é o sentido desses meios para os milhões de pobres que não têm o que comer? E quais serão as consequências do seu fascínio virtual?”.

Por oposição ao conhecimento virtual, essas experiências de aprendizagem se constroem a partir dos problemas vitais com que os alunos se defrontam no seu cotidiano, no seu lugar, na sua particularidade. Não há programas universais definidos por uma burocracia ausente porque a vida não é programável.

Os desafios que enfrentam as crianças nas praias de Alagoas, nas favelas do Rio, nas matas da Amazônia e nas montanhas de Minas não são os mesmos. Além dos saberes que porventura venham a ser aprendidos, esses experimentos buscam o desenvolvimento da capacidade de ver, de maravilhar-se diante do mundo, de fazer perguntas e de pensar.

Tenho a esperança de que esses experimentos continuarão a pipocar, porque é neles que o meu coração se sente esperançoso.

RUBEM ALVES

O Papel da Leitura



Em termos de organização social, a leitura é um fator determinante em todas as relações desenvolvidas nos setores da atividade humana.

Através da interação com os textos, o leitor desenvolve uma visão crítica da realidade, sabe os motivos de as coisas serem como são. Ele interage com o texto, penetra nos referenciais construídos pelo autor, e desvenda-os, sem perder de vista os problemas e as necessidades do seu contexto.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O Problema da Leitura e a Leitura dos Problemas



...Allan Bloom, no seu O Declínio da Cultura Ocidental, queixa-se da falta de profundidade e altitude intelectual dos muitos jovens... A título de exemplo, conta que, perguntando aos alunos o que é o mal, obteve a resposta unânime e imediatista: "Hitler". Com efeito, Hitler não passa de uma referência histórica, é apenas uma imagem ou uma metáfora das crueldades do século XX, não uma definição metafisicamente válida do mal. Foi mau, mas não é o mal...

... Ou a pessoa se preenche de idéias, e se eleva, ou passa a caminhar no nível mais horizontalizante, que tende ao declive, ao infra-humano. E boa parte da plenitude intelectual de que tanto sentimos falta obtém-se na leitura, nessa agricultura mental que consiste em colher das palavras o sabor e a substância.

... Ler, na verdade, é mais do que decodificar um texto. A leitura eficiente vê o não escrito. Exatamente como devemos nós, ao consultar um plano de saúde que nos é proposto, deduzir os serviços e necessidades que não são cobertos pelo plano.

Uma leitura das entrelinhas é uma leitura meditada. Meditar, aceitando uma etimologia imaginária (mas muito sugestiva), é me ditar, é ditar-me palavras maduras, que nascem da reflexão, do desejo de ouvir em minha mente uma voz mais pura, mais verdadeira.

Voz capaz de sussurrar o que realmente é importante, ou seja, o que contribui para a humanização do homem, tão propenso a permitir que seus instintos mais baixos... falem mais alto.

A leitura não é uma fuga da realidade. É uma fuga para a realidade. Mas exige do leitor uma qualidade, um interesse, uma preocupação. O desejo sincero de encarar os grandes problemas, sem querer resolvê-los, dissolvê-los, extingui-los, como se o ser humano fosse onipotente...


... Ler é sonhar acordado. É acordar do falso sonho dos imediatistas. E despertar para a real função da linguagem: "exprimir as relações das coisas" (Simone Weil).

...o telejornal..., dentro dos quais um desastre aéreo, o nascimento de um jacarezinho no zoológico, o Dia das mães, a corrupção política, o Japão e o nordeste, a receita culinária e o assassino cruel são mostrados num mesmo plano, como se fossem todas as notícias importantes, sem um "porém", sem um "portanto" que os relacione, concretizando em nossas mentes, afinal, o absurdo, e nos deixando sem ação, a leitura inteligente que faz pensar, inteligir (intus + legere = ler dentro), torna-se condição de sobrevivência.

Ler ou não ser. Ler ou não ver. Ler ou não ter a força criativa de organizar com os olhos o volume e o peso do caos.


Autor Gabriel Perissé
TEXTO NA INTEGRA AQUI