quinta-feira, 2 de abril de 2015

Leitura segundo Jouve



Para Jouve (2002, p. 17) “a leitura é uma atividade complexa, plural, que se desenvolve em várias direções” e é um processo que possui cinco dimensões. Primeiro, um processo neurofisiológico, levando-se em conta o aparelho visual e as diferentes funções do cérebro. “Ler é, anteriormente a qualquer análise de conteúdo, uma operação de percepção, de identificação e de memorização de signos”. Em segundo lugar, trata-se de um processo cognitivo, que é quando o leitor, depois de perceber e decifrar os signos, “tenta entender do que se trata”.

Nesse momento, é solicitada a competência do leitor. O terceiro processo é afetivo. “As emoções estão de fato na base do princípio de identificação, motor essencial da leitura de ficção.” (p. 19) São as emoções provocadas pelo texto ficcional no leitor que selam com ele o contrato que o levará a continuar a leitura. Para a semiótica, pode-se dizer que aí entram os estudos da paixão no texto. Em quarto lugar, a leitura é considerada por Jouve um processo argumentativo, um discurso de um autor que quer convencer seu leitor de algo. “Qualquer que seja o tipo de texto, o leitor, de forma mais ou menos nítida, é sempre interpelado. Trata-se para ele de assumir ou não para si próprio a argumentação desenvolvida.” (p. 22). Essa afirmativa corrobora a idéia da existência de um contrato de continuidade de leitura feito entre autor e leitor. É preciso que esse contrato seja aceito pelo leitor para que aconteça e se valide a leitura. O quinto e último processo é colocado como simbólico, querendo-se falar com isso da interação da leitura com a cultura e com os esquemas dominantes de um meio ou uma época. A época modifica o modo de leitura de uma obra, e uma obra pode também, por sua vez, modificar o modo de ler dos leitores de determinada época.