quinta-feira, 2 de abril de 2015

Formato livro -06



A invenção de novas formas para livros é provavelmente infinita e, contudo poucas formas estranhas sobrevivem. O livro em forma de coração feito por volta de 1475 por um clérigo obre, Jean de Montchenu, contendo poesias líricas iluminadas; o minúsculo livrete na mão direita de uma jovem holandesa da metade do século XVII, pintada por Bartholomeus van der Helst; o menor livro do mundo, o Bloemhofje ou Jardim fechado, que foi escrito na Holanda em 1673 e mede 0,8 por 1,25 centímetro, menor que um selo comum; o descomunal in-fólio de James Audubon, Birds of Arnerica [Pássaros da América], publicado entre 1827 e 1838, levando o autor a morrer pobre, sozinho e louco; o par de volumes de tamanho liliputiano e gigantesco das Viagens de Gulliver, criados em 1950 por Bruce Rogers para o Clube das Edições Limitadas de Nova York - nenhum desses perdurou, exceto como curiosidade. Mas os formatos essenciais - aqueles que permitem ao leitor sentir o peso físico do conhecimento, o esplendor de grandes ilustrações ou o prazer de poder carregar um livro numa caminhada ou levá-lo para a cama – esses permanecem.

UMA HISTÓRIA DA LEITURA
Alberto Manguel
Companhia das Letras 2004