quinta-feira, 2 de abril de 2015

Bibliocleptomania



BIBLIOCLEPTOMANIA
Não se sabe ao certo a origem desta palavra, mas o dicionário Houaiss de língua portuguesa o define como “compulsão, vício ou mania de furtar livros”.
Bibliocleptas ou bibliocleptomaniacos preferem as bibliotecas por parecerem mais fáceis e acessíveis ao invés de livrarias ou museus, por exemplo. Lawrence S. Thompson em Notes on Bibliobleptomania relata nomes de ladrões famosos desde a Antiguidade aos tempos modernos. O interessante, é que geralmente estes pertencem às mais altas classes da sociedade ou são intelectuais. Mas na história da bibliocleptomania existe outra espécies de ladrão: o criminoso, aquele que rouba para depois vender.

A história da bibliocleptomania é tão antiga quanto à história das bibliotecas e seus motivos podem ser mais bem entendidos com o contexto de cada época.
As primeiras bibliotecas romanas foram formadas por saques de toda a Grécia. A Biblioteca Real Macedônia, a Biblioteca de Mitridates do Ponto, a da Apelicão de Teos por exemplo. Na Idade Média, o livro era um objeto raro e luxuoso, que praticamente só era encontrado nos mosteiros. É evidente que analfabetos não roubariam os livros, se assim fosse não saberiam exatamente seus valores, mas como sabemos naquela época ter um livro era privilégio de poucos.

Na Idade Média foram produzidos os mais belos incunábulos, de 1455 a 1500. Ladrões de livros nesta época eram verdadeiras pragas. E a arma mais usada para combatê-los eram as maldições. O mosteiro de St. Máximim ameaçava os ladrões com pragas parecidas com as de Judas e Pilatos. As penas mais graves eram a excomunhão e a possibilidade de ter o nome riscado do Livro da Vida.
Na Renascença, com a larga impressão de livros, estes não eram mais objetos tão cobiçados. No entanto, a sede do conhecimento fez com que as bibliotecas tivessem muito trabalho no policiamento.
Parece-nos que a religião cristã sempre foi veemente contra tais atos, sendo que o papa Benedito XIV lançou uma bula em 1752, excomungando quem roubasse livros, tamanha era a praga. No entanto, os clérigos são uns dos maiores ladrões de livros segundo Thompson (1944, p. 22) como o Cardeal Pamfilio, que se tornou o papa conhecido como Inocente X, ou Don Vicent e o Pastor Tinius. Abaixo dos clérigos, os estudantes. Estes visavam pesquisas. Mas, acima de todos, a profissão que mais formou ladrões de livros foi sem dúvida a dos bibliotecários.

O maior bibliocleptomaníaco de todos os tempos foi Guglielmo Bruto Icilio Timoleone (1803-1869), o conde Libri-Carucci della Sommaia, o famoso conde Libri. que por sete anos roubou e vendeu obras raras. Com a Revolução de 1848, foi descoberto e fugiu para a Inglaterra com dezoito caixas de livros roubados, avaliados em 25 mil libras, uma pequena fortuna para época. Em 1850, foi condenado a dez anos de prisão e morreu preso e pobre na Itália, em 1869.
A Europa e os Estados Unidos são terras férteis para tais criminosos. Na maioria dos casos, funcionários de bibliotecas, bibliófilos e bibliomaniacos estão envolvidos. Em nossos tempos, observamos que os livros roubados de bibliotecas geralmente são os que possuem alto valor monetário.
Fonte
MONOGRAFIA DE CONCLUSÃO DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
AUTOR: FERNANDO MUSTAFÁ COSTA
Orientador: Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro
São Paulo, 05 de dezembro de 2009
TCC_Bibliofilia_Fernando Mustafa
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