Toda
vez que você começa a ler uma história, seu cérebro está à procura de razões
para continuar investindo seu tempo nesse texto, ao invés de fazer alguma coisa
mais divertida. Nesse processo, a história é avaliada por quatro grupos
diferentes: seus instintos, suas emoções, seus pensamentos e suas intuições.
Cada um deles funciona como um cérebro semi-independente, com preocupações e
vontades próprias. Lógico
que essa subdivisão é apenas teórica, mas ajuda a entender o processo da
leitura em nosso cérebro.
Cérebro
Instintivo
Quer
me matar? Vai me dar prazer? É de comer?
Seu
principal objetivo é proteção da nossa integridade física. Ele está sempre
atento aos estímulos do ambiente em que nos encontramos, determinando
potenciais ameaças, fontes de prazer, e fontes de nutrição. O cérebro
instintivo é responsável por eliminar informações desnecessárias, e focar
apenas no que pode colocar nossa vida em risco, trazer prazer imediato, ou
servir de alimento. Qualquer história que parecer inofensiva, desinteressante,
ou inútil será descartada pelo cérebro instintivo. As histórias que estimulam o
cérebro instintivo criam conflitos que coloquem em risco algo importante
na vida do protagonista. Usando figuras de linguagem para dar mais sabor ao
texto. Despertando perguntas intrigantes na mente do leitor sobre um tema
específico.
Cérebro
Emocional
Tem
alguma relação com a minha vida?
Quando
uma mensagem é percebida como importante, interessante ou excitante, ela é
transferida do cérebro instintivo para o emocional. Seu principal objetivo é
encontrar benefícios emocionais e sociais nos estímulos recebidos, tais como
sensações de conforto, segurança, pertencimento, status, estima. Qualquer
história que não mexer com alguma dessas sensações será descartada pelo cérebro
emocional. As histórias que estimulam o cérebro emocional criam conflitos que
permitam as pessoas refletirem sobre suas relações pessoais e sociais.
Incluindo cenas que mostram o que está acontecendo, ao invés de
apenas contar o que está acontecendo. Fazendo com que o protagonista aprenda
algo sobre si, sobre as pessoas, e sobre o mundo ao final da história.
Cérebro
Racional
Qual
é o sentido disso tudo?
Depois
de ultrapassar os filtros dos dois cérebros anteriores, o estímulo chega na
parte da mente que pensa de forma lógica e complexa. Em muitos casos, decisões
são tomadas pelos dois cérebros anteriores, e racionalizadas por este cérebro
para justificá-las. Seu principal objetivo é reavaliar de forma sistemática a
validade das informações que chegaram até ele. Qualquer história que não seja
clara e coerente será descartada pelo cérebro racional. As histórias que
estimulam o cérebro racional criam conflitos que estabeleçam uma sequência
lógica de acontecimentos, onde cada ação/decisão do protagonista resulte em uma
consequência. Usando linguagem clara e adequada à história que está sendo
contada. Desenvolvendo um protagonista verossímil, contextualizando suas
emoções e comportamentos.
Cérebro
Intuitivo
Alguma
coisa me diz que isso está certo.
Quando
uma mensagem traz uma recompensa emocional, mas não conseguimos explicá-la
usando somente lógica, o cérebro intuitivo entra em ação. Seu objetivo é
acomodar o inexplicável, é tranquilizar os cérebros anteriores com a ideia de
que nem todas as emoções e sensações podem ser explicadas racionalmente. Os
estímulos que chegam até o cérebro intuitivo mexem com nossos valores morais e
nossa espiritualidade. As histórias que estimulam o cérebro intuitivo criam
conflitos e personagens baseados em arquétipos. Incluindo passagens que
permitam ao leitor reflitir sobre sua mortalidade e humanidade. Apresentando
uma verdade humana que ofereça um sentido para tudo o que o
protagonista viveu durante a história.
