De acordo com a perspectiva cognitiva a leitura é
um processamento de informações. Essa visão revela um caráter,
fundamentalmente, mecânico do ato de ler. Faz-se essa descrição porque é importante
compreender a leitura como atividade mental, ou seja, intelectual.
1ª ETAPA
Essa perspectiva teórica também considera o
processo de leitura por etapas. Observa-se que, para ler o mundo e as palavras,
o leitor o faz a partir de seus sentidos: audição, paladar, olfato, tato e,
sobretudo, visão. Etapa determinada como momento da percepção da palavra, do
objeto, dos fatos lidos. O ato de ler, neste momento, ainda não é completo.
2ª ETAPA
Segue-se a segunda etapa que compreende o processo
de levar as informações apreendidas para a memória intermediária, onde elas
serão organizadas em unidades significativas. Durante o ato de leitura, automaticamente
a memória de trabalho aciona os conhecimentos que já estão sedimentados em
grupos maiores e envia para junto destes as informações lidas, que têm relação
com a experiência e com a necessidade do leitor, ou seja, são significativas. O
conhecimento adquirido segue para a memória profunda ou memória semântica.
E a intermediária fica pronta novamente para
receber outras informações, num processo contínuo. A esse processo de seleção
do conhecimento para registro na memória chama-se fatiamento. Outra forma de
esvaziar a memória intermediária é o descarte das informações que o leitor
julga desnecessárias; o leitor reage dessa maneira em relação às informações
que julga insignificante.
3ª ETAPA
Compreende-se como a terceira etapa a recepção do
conhecimento pela memória profunda, momento em que há a compreensão real e a
re-elaboração do objeto, texto lido por parte do sujeito. Percebe-se que a memória
intermediária é a que trabalha ininterruptamente em um processo de esvaziamento
e escolha para armazenamento de informações lidas. Logo, se o sujeito, no
momento de leitura, não consegue agir de forma seletiva para armazenar
informações, significa que ele descartará todas as informações lidas ou que as
novas informações não fazem sentido para ele e por isso mesmo ele não
conseguirá estabelecer um nexo com as unidades significativas maiores já
sedimentadas. Percebe-se que a leitura é “atividade cognitiva por excelência
pelo fato de envolver todos os processos mentais”
